Ansiedade generalizada: o transtorno que atinge milhões e é subdiagnosticado

A preocupação excessiva e constante do Transtorno de Ansiedade Generalizada costuma ser confundida com “jeito de ser” e demora anos para ser diagnosticada. Entenda os critérios usados pela psiquiatria.

Vive preocupado mesmo quando está tudo bem e não consegue explicar o motivo?

Um psiquiatra pode avaliar se essa preocupação constante é um transtorno de ansiedade generalizada e indicar o tratamento adequado.

Visão geral

Diferente da ansiedade pontual, ligada a um evento específico, o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) se caracteriza por uma preocupação difusa, constante e difícil de controlar, que se estende por vários meses e para múltiplas áreas da vida — trabalho, saúde, família, finanças. Por se manifestar de forma contínua, e não em crises pontuais, esse quadro costuma demorar anos para ser reconhecido como um transtorno e não apenas um “jeito ansioso de ser”.

Levantamentos internacionais colocam a ansiedade entre os temas de saúde mental mais pesquisados do mundo, e o TAG é uma das formas mais comuns e, ao mesmo tempo, mais subdiagnosticadas do transtorno.

Os critérios usados no diagnóstico

Na CID-10, o TAG é classificado como F41.1. Os critérios avaliados pelo psiquiatra incluem a presença de preocupação excessiva na maior parte dos dias, por pelo menos seis meses, associada a sintomas como:

  • Inquietação ou sensação de estar “nas cordas”;
  • Fadiga constante;
  • Dificuldade de concentração ou sensação de “branco” na mente;
  • Irritabilidade;
  • Tensão muscular;
  • Distúrbios do sono, como dificuldade para adormecer ou sono não reparador.

O ponto central do diagnóstico não é a existência de preocupação — todo mundo se preocupa —, mas sim a dificuldade de controlar esse pensamento e o quanto ele interfere na rotina.

Por que o TAG é subdiagnosticado

Como os sintomas se desenvolvem de forma gradual e persistente, muitas pessoas normalizam a própria ansiedade, atribuindo-a à personalidade (“sempre fui assim”) ou à rotina (“é o trabalho mesmo”). Isso atrasa a busca por ajuda profissional, às vezes por anos, até que o impacto na saúde física — insônia, tensão, exaustão — se torne evidente demais para ignorar.

Tratamento

O TAG costuma responder bem à combinação de psicoterapia e, quando necessário, medicação prescrita por psiquiatra. Técnicas de manejo da preocupação e mudanças de rotina também fazem parte do plano terapêutico na maioria dos casos.

Sinais de alerta

Quando procurar ajuda profissional?

  • Preocupação constante e difícil de controlar na maior parte dos dias, há meses;
  • Sensação de estar sempre tenso ou “nas cordas”;
  • Cansaço frequente sem esforço físico que justifique;
  • Dificuldade de concentração no trabalho ou nos estudos;
  • Sono não reparador ou dificuldade para adormecer por causa de pensamentos.

Se essa descrição parece familiar há meses, vale conversar com um psiquiatra — o TAG tem tratamento eficaz quando identificado.

Recomendações finais

Se a preocupação excessiva já faz parte da sua rotina há meses e está afetando o sono, o trabalho ou as relações, buscar uma avaliação psiquiátrica é o caminho mais direto para confirmar o diagnóstico e começar o tratamento.

Disclaimer: Os critérios descritos têm caráter informativo e resumido; o diagnóstico completo do TAG exige avaliação clínica presencial ou por telemedicina com psiquiatra. Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação médica individualizada. Apenas um psiquiatra pode confirmar um diagnóstico e indicar o tratamento adequado. Em caso de crise, pensamentos suicidas ou risco imediato, procure um pronto-socorro ou ligue para o CVV (188), disponível 24h.

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