Crise de pânico é confundida com infarto em pronto-socorros, alertam médicos
Palpitação, falta de ar e dor no peito levam muitas pessoas ao pronto-socorro achando que estão tendo um infarto. Entenda por que a crise de pânico provoca sintomas tão parecidos com um problema cardíaco e como o diagnóstico é diferenciado.
Já teve uma crise com dor no peito e falta de ar, mas os exames do coração vieram normais?
Um psiquiatra pode avaliar se o quadro corresponde a um transtorno do pânico e indicar o tratamento adequado.
É comum que pessoas em plena crise de pânico procurem atendimento de emergência convencidas de que estão tendo um infarto. Os sintomas — dor ou aperto no peito, coração acelerado, falta de ar, formigamento, tontura e sensação de morte iminente — realmente se sobrepõem aos de um evento cardíaco, o que exige investigação cuidadosa por parte da equipe médica.
Médicos de emergência costumam reforçar um ponto importante: descartar causas cardíacas é sempre o primeiro passo, e isso é feito com exames como eletrocardiograma. Só depois de afastada uma causa física é que o quadro pode ser investigado como transtorno do pânico.
Por que os sintomas se parecem tanto
Tanto o infarto quanto a crise de pânico ativam uma resposta intensa do sistema nervoso e cardiovascular. Isso explica por que os dois quadros compartilham sintomas como dor no peito, palpitação, sudorese e sensação de falta de ar. A diferença costuma estar na duração, no gatilho e no padrão de repetição dos episódios — mas isso só pode ser avaliado com segurança por um profissional.
O que caracteriza o transtorno do pânico
Na CID-10, o transtorno do pânico é classificado como F41.0. Ele se caracteriza por crises recorrentes e inesperadas de medo intenso, que atingem o pico em poucos minutos, acompanhadas de sintomas físicos marcantes. Quando esses episódios se repetem e passam a gerar medo de ter uma nova crise — o chamado “medo do medo” — o quadro se consolida como transtorno, e não como um evento isolado de estresse.
Depois de excluída a causa cardíaca, o psiquiatra investiga a frequência das crises, os gatilhos, o impacto na rotina e a presença de comportamentos de evitação, como deixar de sair de casa por medo de passar mal em público.
Tratamento do transtorno do pânico
O tratamento costuma envolver psicoterapia, com técnicas específicas para lidar com as crises, e, em muitos casos, medicação para reduzir a frequência e a intensidade dos episódios. Grande parte dos pacientes apresenta melhora significativa com o acompanhamento adequado.
Quando procurar ajuda profissional?
- Crises recorrentes de medo intenso que atingem o pico em poucos minutos;
- Dor no peito, palpitação e falta de ar sem causa cardíaca identificada nos exames;
- Medo constante de ter uma nova crise em público;
- Evitar lugares ou situações por medo de passar mal;
- Procura frequente por pronto-socorro sem diagnóstico cardíaco confirmado.
Se os exames do coração já vieram normais mais de uma vez durante episódios assim, vale buscar uma avaliação psiquiátrica para investigar o transtorno do pânico.
Recomendações finais
Diante de dor no peito ou falta de ar intensa, a prioridade sempre é procurar atendimento de emergência para descartar causas físicas. Depois disso, se os episódios se repetirem, uma avaliação com psiquiatra ajuda a esclarecer se o quadro é um transtorno do pânico e a iniciar o tratamento correto.
Uma avaliação psiquiátrica pode esclarecer se o que você sente é transtorno do pânico e qual o tratamento mais indicado.
Disclaimer: Este texto não substitui atendimento de emergência: dor no peito e falta de ar sempre devem ser avaliadas presencialmente para descartar causas cardíacas. Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação médica individualizada. Apenas um psiquiatra pode confirmar um diagnóstico e indicar o tratamento adequado. Em caso de crise, pensamentos suicidas ou risco imediato, procure um pronto-socorro ou ligue para o CVV (188), disponível 24h.

